Gripe A (H1N1) deverá virar gripe comum em 2010, diz cientista
Comparação entre gripe A e gripe comum
Em 2009, foram registrados pouco menos de 40.000 casos de gripe A (H1N1) no Brasil, resultando em cerca de 1.700 mortes.
Não existem números precisos sobre o número de infectados pela gripe comum, mas sabe-se que, no mesmo perÃodo, ela matou 70 mil pessoas no Brasil - 41 vezes mais do que a temida gripe suÃna.
Em comparação, a gripa A (H1N1) matou 14.000 pessoas em todo o mundo, enquanto a gripe comum mata entre 250.000 e 500.000 pessoas por ano, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde.
Esse foi um dos motivos das recentes crÃticas à Organização Mundial da Saúde, de que o órgão da ONU teria sido influenciado pelas empresas farmacêuticas a decretar uma epidemia quando, na verdade, não havia um risco de magnitude que justificasse a medida.
Gripe A vira gripe comum
Enquanto o Ministério da Saúde elabora um cronograma cuidadoso de vacinação contra a já não tão temida gripe A (H1N1), os cientistas afirmam que a nova gripe na verdade deve se transformar na gripe comum da nova estação.
A gripe comum deverá perder força em razão do surgimento da gripe A (H1N1). É possÃvel que a incidência do novo vÃrus aumente no Brasil, a ponto de a gripe A (H1N1) tornar-se a gripe sazonal deste ano - a gripe da estação, que tem maior incidência no inverno.
“É basicamente isso,” afirma a virologista Marilda Mendonça Siqueira, do Instituto Oswaldo Cruz.” Ele ainda não é um vÃrus sazonal, ainda é pandêmico, mas pode se transformar no vÃrus sazonal.”
História dos vÃrus da gripe
Segundo a pesquisadora é isto o que se observa na história dos vÃrus influenza, causadores de todas as gripes ao redor do mundo.
“Quando um novo vÃrus pandêmico, como o H1N1, é introduzido na população, em cerca de um ano, dependendo do paÃs, ele toma o lugar do vÃrus sazonal; é a história natural da virologia. Temos de esperar para ter ideia do que vai circular,” afirma a pesquisadora, em uma entrevista publicada na revista cientÃfica editada pela Fiocruz
A pesquisadora é responsável pelo Laboratório de VÃrus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, que integra a rede internacional de vigilância de influenza da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Resistência ao medicamento
Marilda também explica que o novo agente é um rearranjo genômico de três espécies diferentes do vÃrus - aviário, humano e suÃno - e discute as razões sobre a resistência apresentada ao principal medicamento usado para combater a gripe A (H1N1).
“Existem, no mundo, sete casos conhecidos de resistência ao oseltamivir. Por quê? Ainda é cedo para responder a essa pergunta”, disse Marilda.
“Os casos precisam ser acompanhados e o oseltamivir precisa ser dado. É o que temos para combater as infecções respiratórias. Em saúde pública, damos para o filho dos outros o que darÃamos para os nossos. Cada paÃs distribui o remédio conforme sua capacidade de estoque, de planejamento e organização”, acrescentou.
Fonte: Redação do Diário da Saúde